domingo, 28 de abril de 2013

O Gestor

O gestor tem o poder de direito, pois a empresa dá-lhe este poder, outorgado por meio do cargo. Ele muitas vezes aloca as pessoas certas nos lugares errados, ou seja, é a aptidão a serviço do retrabalho e da desmotivação. Gestores enxergam mão-de-obra, indicadores de desempenho. Gestores dificilmente enxergam as interfaces existentes e o quanto suas decisões, atos ou ações podem interferir no desempenho das demais, faltando-lhes visão estratégica. Mesmo sendo bons técnicos não conseguem ser facilitadores, capacitadores e agentes de mudança. Normalmente suas carreiras crescem ou evoluem apenas na horizontal, assim terão certo prestígio e boa remuneração, mas permanecerão por anos na mesma função e área. Gestores normalmente são fortes operacionalmente, mas deficientes em termos de planejamento. Estão prontos a executar, pois têm o foco totalmente voltado para a produção, o que indica uma visão limitada, já que se especializam em repetir ações. Suas atividades tornam-se rotineiras e seguem a métrica de um processo mecânico. Erros são cometidos e não identificados, consequentemente são incorporados ao ambiente, tornando-se um padrão a ser constantemente seguido. Gestores não gostam ou não desejam mudanças, afinal pensar, planejar, exercitar, criar, contestar, discutir, implantar, melhorar, demanda tempo, trabalho e riscos. A expressão “deixa como está” transmite a ideia de conforto, estabilidade, tranquilidade e comodidade, tudo o que eles desejam. Gestores não demonstram muito interesse em participar de treinamentos e praticar o hábito da leitura, afinal melhor do que a teoria é a prática, que segundo a ótica deles oferece o suficiente em termos de aprendizagem, para no mínimo garantir a manutenção do cargo. Desta forma, são os que correm forte risco de serem substituídos por profissionais mais qualificados e de menor remuneração. Para os gestores receita menos despesa simplesmente é igual a um resultado numérico, quando deveria ser muito mais, algo como uma equipe comprometida e fidelizada. Números deveriam ser apenas consequência da valorização das realizações. Muitas vezes, se houver espaço vazio entre a liderança e o gestor, este atropela os processos, já que a ansiedade e a pressa em agir imediatamente, neutraliza o gasto de energia com o pensar.

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